Não é coisa que já não soubesse até porque dizem os entendidos nessas matérias

que é uma das grandes características dos Gémeos. Eu que não sou nada dado a signos nunca acreditei muito nisso.
Mas nesta conversa veio à baila o pensamento Freudiano acerca do “EGO” e para complicar mais a conversa até se falou de “SUPEREGO”. Pelo meio apareceu o tal “ID”. E onde fico “EU” no meio disso tudo? Então a dupla personalidade manifesta-se em quase TUDO? Em todos? Só nos Gémeos como eu?

O que escrevo aqui pode não ter nada a ver comigo. Pelo lado inverso aquilo que eu sou pode não ter nada a ver com o que escrevo aqui. Pode parecer a mesma coisa mas se calhar não é. Se não sou o que escrevo aqui porque é que gosto que me comentem e que me visitem? Se a minha “consciência inferior” isto é, o meu EGO se satisfaz é porque aquilo que escrevo tem alguma coisa que ver comigo. Com a minha “consciência superior” isto é, EU.
Mesmo que o EGO seja a minha parte mais superficial e por isso mesmo consciente ele gosta de satisfazer e EU fico satisfeito com isso. O problema é que tudo que satisfaz o meu EGO é para agradar ao ID esse grande inconsciente. Não sei nem sinto que ele existe mas tenho de o alimentar. Está mal! E ainda por cima o meu EGO tem essa necessidade estúpida de satisfazer o ID mas de acordo com as regras do SUPEREGO. Essa é que não posso aceitar.

O cuidado é mesmo tentar que o EGO não se submeta ao ID senão lá passarei EU a ser um IMORAL, nem ao SUPEREGO senão a loucura está a dois passos de distância. Ah! E devo dizer que esse tal SUPEREGO é o censor.
E segundo dizia o Segismundo, preferencialmente censor sexual. Mas que se lixe, não quero ir por aí. Ele que censure à sua vontade que EU tudo vou fazer para que

o meu EGO não se submeta a nenhum deles. LIBERDADE seja sexual ou qualquer outra.
Não vai ser um qualquer auto denominado SUPEREGO que me vai escravizar. O tanas é que escraviza! No entanto o ID é importante! Dizem que é um reservatório de energia onde moram umas certas PULSÕES.

Pulsões? Pois é isso mesmo pulsões. São impulsos de energia que nos orientam. É com essas PULSÕES que somos ou brutos ou carinhosos por exemplo. Portanto influem no comportamento. Aí já se compreende que o SUPEREGO que não deve ser parvo nenhum quer assumir o controlo. Mas muitas vezes até nos dá jeito que assuma. A sociedade em que vivemos impõe-nos regras.
Se deixamos as PULSÕES passarem sem serem inspeccionadas pelo SUPEREGO somos capazes

de fazer asneira, isto é, de colidir frontalmente com essas regras. É uma espécie de filtro para filtrar os “porreiro pá”…
É essa passagem do inconsciente para o consciente que se torna perigosa e temos a ajuda do camarada SUPEREGO para fazer a necessária separação. Mas ele que não abuse porque recalcamentos e frustrações não são bem-vindos.

Dupla personalidade dizia eu no início desta conversa. DUPLA PERSONALIDADE. É como se de um lado estivesse um eu ARTUR bonzinho e muito boa pessoa e do outro estivesse um JOÃO mauzinho e muito má pessoa. Com conscientes e inconscientes muito diferentes a conviverem dentro do mesmo corpo. E acho eu com dois SUPEREGO muito diferentes. Provavelmente um mais censor que outro. Provavelmente com EGOS a pedirem satisfações diferentes. E dentro do mesmo corpo? Não acredito!

Pois mas nessa conversa que mais parecia ser o divã de um psicanalista até se falou em Sócrates (que felizmente não era primeiro ministro de coisa nenhuma) e de Aristóteles.
Aí comecei a pensar que afinal este EU é mais complicado do que eu ando a pensar à dezenas de anos. Na verdade parte de mim é pela razão, como Sócrates. Outra parte não. Também acredito, como ele acreditava, que nos devemos centrar no nosso “desenvolvimento pessoal” em vez de nos concentrarmos na “riqueza”, muito embora as duas coisas possa possam coexistir sem que isso seja crime. Como Aristóteles (e Tales de Mileto) também sou pela lógica.
Sou profundamente pela lógica. E não me custa aceitar que me movo pelas suas quatro causa

s (Material, Formal, Motora e Final). EU não estou em contradição. Talvez o ARTUR seja mais isso que o JOÃO. Ou talvez seja o contrário sei lá.
E pronto esta foi a reflexão acerca da existência enquanto duas pessoas numa só.
Com uma a ser predominante sobre a outra? Não sei.
Com as duas a viverem em simultâneo no mesmo invólucro material? Não sei.
Muito provavelmente disse muitos disparates.
Mas mesmo assim gostava de ter a vossa opinião e talvez a resposta a estas perguntas inocentes:
Não somos todos assim?
Não temos atitudes e comportamentos diferentes perante situações diferentes?
Não é verdade que comportamento gera comportamento?

Se me agridem, agrido.
Se me tratam bem, trato bem.
Isso é dupla personalidade? (É um Artur e um João em luta intestina?)
Fiquem bem!